Relações Internacionais Rio Branco

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FORDLÂNDIA

Escrito por abusufyen em Junho 9, 2008

            Artigo escrito por Ali Chams, Camila guirado Abolis, Cintia Almeida, Flávia Araújo e Domingos Vela, 5ª etapa do curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco para a matéria Comércio Exterior II.

FORDLÂNDIA

 

            Como parte de seus projetos, Henry iniciou a chamada Integração Vertical, que consistia no controle de todos os recursos necessários à construção de um bem. Para se libertar do monopólio inglês do látex e suprir a necessidade de borracha, matéria-prima complementar para a fabricação de automóveis, Ford decidiu ele mesmo produzir a tão essencial matéria prima e assim começou a prospecção de locais para a produção de látex e para isso contratou o brasileiro Jorge Dumont Villares e William L. Schurtz que negociaram com o governo do Pará para que lhes doasse uma área de um milhão de hectares nas margens do Rio Tapajós para a construção do empreendimento e eles em seguida a venderam para Ford pelo valor de US$125 mil dólares, ou seja, a aventura de Ford já mostrava indícios de um fracasso. Em 1927, foi estabelecido um vilarejo chamado Fordlândia.

            Fordlândia contava com uma excelente estrutura: hospital de primeira linha (onde foi realizado o primeiro transplante de pele do país), luz elétrica, água encanada e filtrada, sistema de hidrantes, cinema, um porto, entre outros, lá ele construiu a maior serraria da América Latina que a princípio tentou vender a madeira, vinda do desmatamento, para os EUA e Europa para tentar obter algum retorno do seu investimento, mas o negócio logo se mostrou inviável. Ford tentou construir uma comunidade “American-as-apple-pie”, uma representação do “american way of life”. No vilarejo havia mais de 3 mil funcionários, onde mais de 20 diferentes línguas eram faladas, na cidade havia desde padeiros e açougueiros a uma pequena fábrica de calçados, vários americanos foram chamados para a cidade e foram eles os únicos a ocupar os cargos de chefia.

            O empreendimento de Ford tomou como modelo o empreendimento inglês nas suas colônias na Malásia. Mas em 1876, o inglês Henry Alexander Wickham do Royal Botanical Garden em Londres, que morou em Santarém durante dois anos, colheu 70 mil sementes de seringueira (Hevea brasiliensis), originárias de uma região denominada Boim, no Vale do Tapajós, e as transformou em mudas que plantou em colônias britânicas na Malásia, formando extensos seringais de cultivo que apresentavam alta produtividade de borracha seca por hectare.

Se de meados do século XIX até quase meados do século XX praticamente toda borracha natural consumida no mundo era originária da Amazônia brasileira, levando o produto a competir com o café na formação do PIB do Brasil, em pouco mais de cinqüenta anos os ingleses desbancaram a Amazônia e transformaram-se nos maiores produtores de borracha do mundo, com efeitos desastrosos para a economia da região amazonense que continuava assentada no extrativismo predatório dos seringais nativos, e assim continuou por mais meio século.

Esse fato teve reflexos também em Dearborn, – fábrica de Ford onde eram produzidos 1.200 automóveis por dia e eram empregados 100.000 trabalhadores - pois os ingleses a fim de manterem o preço da borracha em alta, passaram a controlar a produção asiática, obrigando Henry Ford a pensar em produzir sua própria matéria prima se quisesse ter garantia no abastecimento de látex para a fabricação dos pneus dos seus automóveis.

Assim surgiu a idéia de Ford produzir borracha na Amazônia, a escolha do Vale do Tapajós para sede do seringal racional deveu-se ao fato de lá ter saído as 70 mil sementes que Henry A. Wickham levou para Londres e de onde até pouco tempo atrás era produzida quase a totalidade do látex usado no mundo.

Apesar do investimento de Ford se justificar por criar uma segurança no fornecimento de látex a sua implementação sofreu de sérios problemas e principalmente de erros. Em primeiro lugar a escolha do terreno, os um milhão de hectares “concedidos” pelo governo do Pará nas margens do Rio Tapajós era de uma topografia montanhosa e solo predominantemente arenoso que dificultavam o cultivo com máquinas, elevando o custo de produção da borracha. Aliado ao clima com umidade relativa do ar elevada, que favorecia o ataque do inimigo número um da seringueira na Amazônia, o “Mal das Folhas”, doença causada pelo fungo Microcyclus ulei, até então desconhecido dos americanos de Fordlândia que não estavam preparados para combatê-lo. Em segundo lugar, foi a equipe mandada para realizar a tarefa, na equipe mandada por Ford para a criação da cidade e da plantation de seringueiras era constituída por engenheiros, médicos, contabilistas, eletricistas, desenhistas, mas nenhum agrônomo, botânico ou fitotecnista fazia parte da equipe inicial, ou seja para Ford uma vez que sua plantation seria feita na região nativa da seringueira não haveria problemas com sua implementação. O terceiro erro foi resultado do segundo, uma vez que na equipe técnica não havia ninguém especializado no cultivo de seringueiras e com a idéia de que por estarem na área nativa da seringueira a forma como elas seriam plantadas não traria problema algum, assim com o objetivo de “industrializar” a produção de látex as seringueiras foram plantadas em fileiras, 200 mudas por acre num total de 1.5 milhão de seringueiras – dentro da floresta as seringueiras eram encontras numa área de 3 seringueiras por acre- e poucas mudas vingarem exatamente por estarem umas muito próxima das outras, onde cada uma inibia o crescimento da outra, e por estarem em um solo pobre e montanhoso.O quarto ponto foi que uma vez que o terreno era úmido demais, as seringueiras ficaram mais vulneráveis a ocorrência de fungos e foi exatamente isso que dizimou  o resto da plantação, o fungo Mycrocyclus ulei, popularmente conhecido como “mal das folhas”. O quinto e último problema foi exatamente o choque cultural, ao conceber a idéia de plantation Ford queria também exportar o estilo de vida e os valores americanos, o “healthy lifestile”, então construiu casas no estilo americano, o regime de trabalho era próprio americano de “nine-to-five shifts” ao contrário do eu os caboclos eram acostumados (antes do sol nascer com pausa até o sol se pôr para evitar o sol amazonense), o próprio entretenimento era “importado”, os trabalhadores eram obrigados a celebrar as festividades americanas, nos finais de semana eles eram chamados a reuniões onde liam poesia, dançavam e cantavam canções típicas americanas, outro ponto foi que Ford proibira o consumo e venda de bebidas alcoólicas na cidade, obrigando o caboclo a irem para outras cidades para se saciarem. O ponto de ebulição desse choque foi quando Ford trocou a refeição comum aos caboclos, peixe e farinha, por comidas americanas, como hambúrguer, espinafre e outro. Isso tudo eclodiu na “revolta das panelas”, revolta essa que perdurou por 3 dias até que o exército brasileiro viesse para intervir na região.

            A aventura de Henry Ford durou menos de 20 anos, exatamente pelos problemas citados acima. Logo após que a Fordlândia não vingaria exatamente pela sua topografia, Ford tentou mudar o empreendimento para a cidade de Belterra, contratando o especialista James R. Weir para diagnosticar e implementar a nova plantação, mas a mesma foi também dizimada pelo “Mal das Folhas”. No entanto, a aventura de Ford foi abandonada com o surgimento da borracha sintética, derivada do petróleo e gás que tornou a obtenção do látex de seringueira economicamente inviável.      Em 1945 a filial amazônica da Ford Motor Company fechou as portas, levando consigo um prejuízo de mais de US$ 100 milhões em valores atualizados.

 

ATIVOS TANGÍVEIS E INTANGÍVEIS

            A complexidade da aventura de Ford foi de difícil implementação e infrutífera devido aos inúmeros erros de implementação, no entanto, felizmente, essa complexidade tornou a análise do empreendimento muito mais fácil.

            Tomando os conceitos de ativos tangíveis e intangíveis, a idéia e implementação da Fordlândia tomaram como base principalmente o primeiro, isso é visto no transporte das casas pré-fabricadas no estilo americano trazidas para a Amazônia, a construção da cidade com o que havia de mais moderno entre outros, ou seja, a questão material era abundante, mas o que se fez com ela foi uma sucessão de erros. Quanto à questão de ativos intangíveis, resumidos no conhecimento, a simplificação da situação e do empreendimento o tornou inerentemente um fracasso, o envio de uma equipe técnica constituída essencialmente por engenheiros, médicos, eletricistas e outros, mostra a intenção de Ford em produzir látex como ele produzia carros, o erro aqui foi a falta de informações a respeito da região e solo, o conhecimento ineficaz de sua equipe que não era constituída por nenhum especialista em botânica ou afins. Querer fugir do monopólio inglês de látex era um objetivo importante, no entanto implantá-lo de forma messiânica foi uma cinca.

 

 

FORDLÂNDIA ANALISADA SOBRE A ÓTICA DAS CORPORAÇÕES MULTINACIONAIS

            Para analisar o estabelecimento da filial amazônica da Ford Motor Company sob a ótica das Corporações Multinacionais (CMN), é preciso relembrar que cada filial possui um papel único na CMN, e é justamente esta unicidade que modela a estratégia da filial como uma função do ambiente local e as capacidades únicas destas, além dos papéis desenvolvidos por cada tipo de filial, os quais podem ser divididos basicamente em três:

            a) Local Implementer: Essa filial possui um escopo geográfico limitado, restrita a um país,          produtos constrangidos e escopo de valor adicionado. Neste contexto o papel da filial é     adaptar os produtos globais às necessidades do mercado local.

            b) Specialized Contributor: Essa filial tem competência considerável em funções especificas,      mas suas atividades são firmemente coordenadas com as atividades de outras filiais. Por isto         sua característica principal é uma elevada interdependência com outras filiais. Ela ocorre           quando as pressões para integração no ambiente são altas e há poucas responsabilidades        locais.

c)World Mandate: filial que trabalha com a sede no sentido de implementar estratégias. Ela        possui responsabilidades mundiais ou regionais sobre uma linha de produto ou negócios, e         tipicamente não possui limitações no escopo de produtos. Nesse sentido, ela alcança uma  “centralização descentralizada”, as atividades são integradas mundialmente, mas gerenciadas a partir de filiais e não pela sede.

            Com base nestes conceitos, podemos dizer que a filial da Ford estabelecida na Amazônia possuía a características de Specialized Contributor, pois ela era uma filial responsável pela produção da matéria-prima destinada para as fábricas da Ford. No entanto, essa caracterização da Fordlândia como sendo a de Specialized Contributor seria a definição da filial ideal a ser implementada na região, e se caracteriza por fazer parte de um CMN descentralizada, o que a Ford não era, a determinação dos meios com o qual os objetivos da filial, produção em grande escala de látex, foram formuladas pelo próprio Ford, ou seja, não havia uma descentralização, mas sim uma estrutura vertical, conceder a filial uma autonomia, o que seria mais eficiente, não ocorreu.

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Artigo em Destaque

Escrito por abusufyen em Abril 24, 2008

Esse é um artigo muito interessante que li no Le Monde diplomatique (edição francesa) edição de Abril-2008. Achei tão interessante que resolvi dedicar alguns dias de muito esforço para “tentar” traduzi-lo, espero que aproveitem.

A ALIANÇA ATLÂNTICA A PROCURA DE NOVAS MISSÕES

Enterrado no Afeganistão, dividido quanto a vontade americana de instalar antimísseis na Europa, criticado pela Rússia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se reunirá excepcionalmente em Bruxelas no dia 2 até 4 de Abril.

Mais de 40 anos após a decisão do General de Gaulle de deixar seu comando militar integrado, e apesar das promessas do presidente Nicolas Sarkozy de retornar a esta escolha, a OTAN é confrontada por questões existenciais.Enquanto alguns sonham em uma união transatlântica encarregada de garantir a dominação ocidental sobre o mundo, poucos parecem se perguntar sobre o risco que representa a estratégia americana para a Europa.

OS ESTADOS UNIDOS SÃO UMA AMEAÇA À EUROPA?

Por Pierre Conessa – Antigo alto funcionário, autor dos livros Lês Mécanique du chaos: Bushisme, próliferation et terrorism, L’Aube, Paris, 2007.

Os relatórios e obras a respeito da ligação transatlântica e a relação com os Estados Unidos se multiplicam. Em seu livro, Edouard Balladur, propõe um novo equilíbrio ou mesmo uma união entre a Europa e os Estados Unidos para gerir a segurança do mundo. De forma intrépida, o antigo primeiro ministro assimila Ocidente e Democracia.

De outro lado, cinco antigos generais montam um outro quadro para as funções da OTAN propondo revitalizar a aliança concebendo uma direção comum EUA-OTAN-UE. Seu relatório decalca, não sem escrúpulos, os conceitos do pensamento americano, como o emprego de armas nucleares preemptivas. Uma importante “boîte à idées”(caixa de idéias) instalou-se em Bruxelas, a Security and Defense Agency (DAS), visa por sua parte de “revitalizar” a aliança atlântica.

Todos esses pensamentos apresentam três pontos em comum: eles analisam o mundo exterior a OTAN como uma ameaça; eles naturalizam a idéia de um Ocidente unido por valores comuns face a uma globalização vista como caótica; enfim, esses textos, observam a impotência dos exércitos ocidentais, tendo em mente as intervenções no Afeganistão e Iraque, exigindo um aumento de missões e funções da OTAN.

Um assunto, entretanto, não é discutido. Ele até parece tabu. Os Estados Unidos poderão se constituir como um grave risco à segurança internacional dentro dos próximos 20 anos? Longe de ser ilegítimo, a pergunta é vista antiquada para a equipe atualmente no poder em Washington, responsável por um dos piores desastres geopolíticos dos últimos 15 anos – a invasão do Iraque. Ele deveria ao menos suscitar um debate entre os europeus. O terrorismo islâmico e a proliferação de armas de destruição em massa constituem riscos bem reais. Mas separando, por acordo tácito, os Estados Unidos, ao numero de soluções, exclui-se logo de partida uma fonte eventual de ameaça para a segurança internacional. Se o risco do unilateralismo americano não pesa diretamente sobre a França, poderá ela então ignora-lo?

O mundo passa por uma fase de transição. Do sistema de unilateralismo militar dominado por uma única superpotência seguido progressivamente pela emergência de novas potências (China e Índia), para a existência de outros países dotados de armas nucleares (Israel, Paquistão, Coréia do Norte, Irâ futuramente) e pela necessidade de administrar o escasseamento do petróleo e das matérias primas. Além dessas ameaças mais evidentes (proliferação e terrorismo), certos cenários de guerras prováveis se desenham em torno das ações militares unilaterais (como a dos Estados Unidos no Iraque) e de conflitos pelo controle de recursos escassos. Ora, nesses dois casos, Washington poderá desempenhar um papel desestabilizador agindo unilateralmente.

Instaurado em 1991, o unilateralismo americano possui características únicas, que são repentinamente amplificados pelo trauma dos atentados de 11 de Setembro. O poder de Washington ultrapassa os limites habituais associados a soberania clássica e se estende à totalidade do planeta. Esse unilateralismo é de um poder inigualável na escala mundial, que justifica sua identidade por um “particularismo sagrado” (particularisme sacralisé) ou um “messianismo democrático radical”.

Isso significa, primeiramente, o poder de negar ou recusar as regras de segurança comuns. Desde a presidência de William Clinton (Bill Clinton), as autoridades americanas foram bastante longe neste ponto: revogação do tratado relativo aos mísseis antibalísticos (Anti-Balistic Missile, ABM), proibindo os mísseis antibalísticos a fim de lançar seu programa de defesa antimísseis; aplicação muito “branda” e “flexível” da convenção de 1972 proibindo as armas biológicas (como mostra, em setembro de 2001, a crise de antrax produzido por um laboratório do Pentágono e guiando os trabalhos sobre a militarização desta substância); recusa de inspeções previstas na convenção sobre armas químicas de 1993, sob a alegação de proteção de segredos industriais – Washington encontra-se assim com a China e Irã numa posição de fragilizar esses tratados internacionais.

DESLIZAMENTO ESTRATÉGICO DE WASHINGTON

A isso se soma a rejeição da convenção contra as minas terrestres em 1997, ao lado da China, para “proteger as tropas americanas na Coréia” e a recusa em negociar sobre o comércio de armas leves, sob o motivo de que a décima segunda emenda da Constituição americana dá o direito às armas individuais.Igualmente recusado, a justiça coletiva da Corte Penal Internacional (CPI) pelo presidente Clinton. O Congresso também ameaçou cortar os subsídios aos países do Sul beneficiários da ajude pública americana se eles não assinassem um tratado bilateral para impedir a extradição de cidadãos americanos processados pela CPI.

O unilateralismo, é também o poder de decidir quem, a cada momento, é o “inimigo”: o Iraque (como afirmou Colin Powell, em 6 de fevereiro de 2003, na Onu), o Irã, a Al-Qaeda, etc. Esse poder de definir impõe à “comunidade internacional” um compromisso ou obrigação, como a “guerra global contra o terrorismo” e contra a proliferação. O presidente americano passa sem hesitação, e sem coerência, da guerra contra o terrorismo islâmico, responsável pelo 11 de Setembro, à luta contra a proliferação (nem a Coréia do Norte nem o Irã foram portanto acusados de ligações com Osama Bin Laden). Dirigindo uma lista precisa de países perigosos, Bush entregue, ao contrário, um certificado de “proliferação aceitável” a Israel, Índia e Paquistão, reconhecendo assim que nem todas as proliferações são desestabilizantes.

O unilateralismo, é também o poder de agir militarmente só: o esforço de defesa americano representa a metade dos gastos mundiais em armamentos. A reflexão atual sobre o emprego de pequenas armas nucleares, “mini-nukes” e a afirmação do princípio que a guerra preemptiva reflete os grandes componentes da reflexão estratégica de um país que jamais conheceu a guerra de destruição total sobre seu território – mas calcula calmamente sobre os meios de lança-la sobre outros países. Enfim, como se vê no Iraque, o unilateralismo, é o direito de se atribuir o reordenamento do mapa mundial, basta testemunhar o projeto de “Grande Oriente Médio”.

Os Estados Unidos são a ultima democracia a conduzir uma guerra química ao longo da segunda metade do século XX. No Vietnã, foram lançados, entre 1961 e 1971, 40 milhões de litros de “agente laranja”, sendo 336 quilos de dioxina, produto particularmente tóxico que a Europa descobriu em Seveso (Acidente de Seveso – vazamento de dioxina nesta cidade italiana). Os tribunais americanos recentemente aceitaram indenizar os antigos GI (soldados americanos) vítimas dessa arma atroz, mas os mesmos se recusam a reconhecer o direito das vítimas vietnamitas.

Podem as eleições americanas mudar o cenário? Três elementos em comum são encontrados nos candidatos que ainda estão na disputa, Hillary Clinton, Barack Obama e John McCain.

A visão messiânica dos Estados unidos persistirá, e os aliados sendo mais ou menos consultados. Até mesmo Obama, o candidato mais sensível às reações internacional, não efetuou nenhuma audição como presidente da subcomissão para Europa da comissão senatorial de relações exteriores. O individualismo, o moralismo e o excepcionalismo que impregna tanto as elites quanto a opinião pública explica o sentimento consensual que ninguém possui o direito de por em questão o puritanismo de suas intenções. Nem a justiça de suas definições de Bem e do Mal.

O deslizamento estratégico de Washington, que passou da dissuasão – doutrina de preservação da paz que funcionou durante toda a guerra fria – para a preempção, que é uma lógica de deflagração de guerra, encontra sua raiz, sua lógica no excepcionalismo americano, a qual postula que a segurança do país não deve depender de ninguém e que ela pode justificar a si mesma a um ataque preventivo. O 11 de Setembro, que foi um ataque direto e mortífero sobre o território americano, consolidou esse gênero de “postulado”. O único freio psicológico a esse resultado, é a morte de quatro mil GI (que pesa mais no debate eleitoral do que a centena de milhares de mortos iraquianos).

O segundo pragmatismo constante dos aspirantes à Casa Branca, a solidariedade incondicional com Israel, torna ainda mais aleatória uma paz no Oriente Médio. Favoráveis ao “Grande Israel”, os neo-evanlégicos reivindicam o apoio de 30% da população americana, sua influência fortalece o papel tradicional da comunidade judia. Ao tratar sobre mundo muçulmano, a maioria dos discursos políticos emprega o termo “islamo-fascismo”, como se o Islã possuísse a exclusividade da violência e do radicalismo. Na região, a diplomacia americana adotou a regra de “dois pesos e duas medidas”. O conselheiro de Hillary Clinton, Richard Holbrooke declarou que: “A questão central na Palestina não é a democracia, mas a paz com Israel. (…) Na região, entre a paz e a democracia, eu escolho a paz sem hesitar”.

O mesmo parece se aplicar ao Irã. Único país onde o presidente é eleito com 55% dos votos, ele é mais democrático e menos islamita que a Arábia Saudita, menos nuclear que o Paquistão ou Israel. As declarações provocativas de Mahmoud Ahmadinejad não podem mascarar a origem do motivo em pesquisar armas nucleares. Ela remonta a Guerra com o Iraque (1980-1988), país agressor apoiado totalmente pelo Ocidente. O conflito causou entre 800 mil a um milhão de mortos iranianos, e os veteranos da guerra até hoje desempenham um papel político importante (por meio dos pasdarans ou a Fundação dos Mártires); o emprego de armas químicas contra os soldados jamais foi condenado pelo Ocidente. Enfim, o país está cercado por forças de uma superpotência que possui como ambição derrubar o regime (as tropas americanas estacionadas no Iraque, no Afeganistão e no Golfo Pérsico) e por um novo país proliferador tolerado por Washington, o Paquistão. Nestas condições, um político responsável de Teerã poderá crer nas garantias de segurança dadas pelos Estados Unidos?

UM MILITARISMO HUMILHANTE

A última característica comum a todos os candidatos é: uma predileção ao uso superdimensionado (“surdimensionnement”) da ferramenta militar e do emprego da força. O orçamento militar americano para o ano de 2009 ultrapassa os US$600 bilhões, e o apoio da opinião publica ao emprego da força não encontra equivalente em outras democracias (82% contra 44% na Europa).

Qualquer que seja sua afiliação política, as estratégias de Washington não refletem senão uma coisa que um rumo e uma liderança para a segurança mundial. Esse direito moral se apóia sobre o princípio da supremacia militar: superioridade tecnológica e poder de fogo para levar o adversário à derrota. Uma via que mostra seus limites no Iraque como no Afeganistão.

Podemos, por outro lado, perguntar se a supremacia militar americana convencional não é um fator de proliferação nuclear. Depois da vitória militar da OTAN em Kosovo, o chefe do Estado- Maior indiano declarou: “Não se luta contra os Estados Unidos sem armas nucleares”. Ao mesmo tempo, a guerra no Iraque, as dificuldades russas na Chechênia, a invasão israelense ao Líbano em 2006, mostram a eficácia reduzida das ferramentas militares clássicas e de estratégias de destruição nos conflitos de ocupação. Ao mesmo tempo, ao invés disso suscitar uma reflexão crítica, o impasse no Iraque desembocou numa estratégia de “prompt global strike” que permite um ataque sobre qualquer ponto no mundo com mísseis convencionais em menos de uma hora, uma nova versão da superioridade aérea sem risco no solo.

A fabricação do inimigo pela “boîte à idées” e as estratégias continuam a ser um mecanismo muito eficaz. Em sua “stratégie de sécurité nationale” redigido por Hillary Clinton para o Center for American Progress, a candidata apresenta uma lista de inimigos potenciais análoga àquela dos neoconservadores. Aí se encontra, a princípio, os rivais de sua liderança – China e Rússia. É interessante constatar o quanto o debate sobre a desvalorização do dólar em comparação ao euro mudou, a favor da dialética americana, em um debate sobre a desvalorização do yuan.

A respeito de seu poder, a doutrina adotada é a do containment (endiguement), ou mesmo de recuo, como mostra as ONGs americanas nos países periféricos soviéticos (Ucrânia, Geórgia…). Mas entre as potências nucleares, o risco de guerra é ainda alto: a dissuasão continuará por um bom tempo como regra.

Em seguida vêm os países do “Eixo do Mal”, com destaque ao Irã, e enfim os países nocivos, como a Síria, a Venezuela ou Cuba. Nesse caso, a ação unilateral americana não está excluída, em particular para compensar um eventual derrota no Iraque. A escolha de uma guerra “ganhável” contra um inimigo secundário por um militarismo humilhante sempre é possível, como foi a invasão de Granada por Ronald Reagan em 1983, após a revolução iraniana de 1979.

Contra o Irã, tudo corre de forma diferente. O risco nuclear existe pois Washington não suportará uma resistência longa. Quando Obama excluiu o recurso às armas nucleares como forma de atacar alvos ligados a Al-Qaeda ou aos talibãs no Afeganistão e no Paquistão, ele foi imediatamente criticado por Hillary, afirmando que um presidente americano não pode descartar a opção nuclear.

Outro cenário de conflito provável: a guerra pelo controle de recursos. Mais do que nunca, os Estados Unidos importam vários produtos de base e recursos energéticos, sua dependência vem crescendo: 66% do seu consumo de petróleo e 20% do consumo de gás em 2030, conta 47% e 18% de hoje. Por outro lado, as necessidades energéticas da Índia (90% de seu consumo) e da China (80%), que se abastecem, sobretudo, pelo Oriente Médio, são imensos. Como Washington administrará um embargo ou uma captação de recursos por essas potências regionais (uma nova OPEP) ou global (China na África, e a Rússia no mercado petrolífero e de gás)? Pela livre ação do mercado ou pela ação militar?

A aparição, no futuro, dentro do Golfo Pérsico de navios de guerra chineses ou indianos vindo, segundo a terminologia usual, para “assegurar as rotas de abastecimento” , será ela vista pelos Estados Unidos como uma ingerência ou como uma contribuição à estabilidade mundial?

VONTADE EM MODIFICAR A ORDEM EXISTENTE

Nenhum desses cenários é uma certeza. Mas a transição em direção a um sistema multilateral inaugura, como todas as fases de mudança, um período instável. As fases de paz durável dependem do equilíbrio entre as potências e não ao desenvolvimento ou ao recuo da democracia no mundo. Para garantir a estabilidade durante a guerra fria, os países ocidentais apoiaram ou instalaram ditaduras, como aquelas dos coronéis na Grécia ou dos militares na América Latina nos anos setenta. Em contrapartida, as fases de instabilidade internacional nascem da afirmação de novas potências e da sua vontade de modificar a ordem existente: a Alemanha contestando a ordem de Versalhes depois de 1918, os povos colonizados recusando a ordem colonial, o Paquistão e a Índia procurando redesenhar as fronteiras coloniais por meio da guerra, etc.

Estratégia clássica de poder, a vontade americana em prevenir a emergência de um competidor não se constitui em um projeto de segurança internacional. No passado, o poder britânico havia anunciado o “double standard”: ela limitava o direito de um rival em possuir uma frota que atingisse a metade do total possuído pela “Três Gracieuse Majesté”. A reflexão estratégica americana se situa numa via análoga. É encantador ver o Secretário de Defesa Donal Rumsfeld na China em novembro de 2005, explicando às autoridades locais o quanto seu esforço de segurança é preocupante; nesse caso, esse esforço, na melhor das hipóteses, não atingirá mais do que a sexta parte do orçamento do Pentágono.

Não menos surpreendente são as acusações repetidas contra os agentes iranianos que desestabilizam o Iraque, como se os 150 mil GI e os 50 mil mercenários presentes contribuíssem para a paz na região.

Certamente, os Estados Unidos não são uma ameaça, mas um perigo! A França e a Europa devem se perguntar sobre o projeto diplomático escondido por trás do apelo de reforçar o papel da OTAN. Após o Afeganistão e sobretudo o Iraque, qual país não-ocidental verá as capacidades de projeção da OTAN como uma força destinada a estabilizar uma região em crise?

Onde se encontra o interesse da Europa? A princípio, na construção de uma segurança internacional multilateral que leva em conta os interesses legítimos de cada um e não somente o “direito” das “potências ocidentais” de gerir a segurança mundial. Os excessos de violência e ilegalidade, quer sejam estatais ou não, são condenáveis nos mesmos termos. Os palestinos mortos pelos bombardeios israelenses são também inadmissíveis assim como são as vítimas dos atentados terroristas. Se o contra-terrorismo é mais mortífero que o próprio terrorismo, o que fazer?

O mesmo se dá com o seqüestro e emprisionamento ilegal de pessoas: no caso das FARC, isso se chama de tomada de reféns, no caso do centro de detenção de Guantánamo, isso se chama “detenção arbitrária”. Ingrid Betancourt foi seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002, o Campo Delta de Guantánamo foi criado em 27 de fevereiro de 2002 para os primeiros prisioneiros afegãos, que até hoje não foram para julgamento…

Para desempenhar seu papel, a Europa deve se diferenciar em três pontos essenciais. Em primeiro lugar, seu projeto diplomático não pode ser senão o de uma “potência militar sem ambição imperialista”, a isso deve-se suceder a uma modificação sensível de sua relação com a OTAN. A união dos europeus desmanchou a respeito da guerra no Iraque, e a ameaça de guerra contra o Irã apresenta os mesmos riscos.

Em segundo lugar, a estratégia européia de recorrer a força deve se diferenciar dos conceitos americanos de destruição, e avançar em direção a neutralidade. Nas crises recentes (Iugoslávia, Kosovo, Timor-Leste, Afeganistão), o Ocidente financiou a reconstrução da infra-estrutura que eles haviam destruído.

Enfim, a Europa poderá dispor de seu próprio mecanismo de avaliação de crises e não mais depender de informações americanas. As mentiras fabricadas pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha para justificar a guerra do Iraque mostram a urgência de uma reflexão dos recursos europeus.

Traduzido por Ali Chams

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Artigo em Destaque

Escrito por abusufyen em Abril 11, 2008

Perspectivas para os movimentos estudantis atuais, por Bruno Felice A. Perrella

Perspectivas para os movimentos estudantis atuais.

Por Bruno Perrella. [1]


Passou esses dias na televisão um documentário muito interessante falando sobre a UNE (União Nacional do Estudante). Este documentário continha imagens das manifestações, discursos, ações, as reuniões, e também os depoimentos, feitos hoje em dia, dos presidentes da UNE.

Eu sempre afirmei minha decepção com a classe estudantil brasileira atual. E também, sempre afirmei que por essa minha exaltação política, por esse meu questionamento, por toda a minha sede de manifestações, eu “invejo” os estudantes ativos daquela época.

A UNE foi fundada em 1937[2] e através de reuniões e congressos intercursos, debatiam as perspectivas para o Brasil. Tinham, no inicio, um caráter anti-nazista o que refletiu na criação de um nacionalismo saudável e progressista.

A partir de 1964, com a tomada do poder pelos militares, as ações da UNE foram colocadas em xeque pelo governo, dado a importância que o movimento tinha adquirido, como também, o seu grande poder de formadora de opinião e questionadora da sociedade.

Assim, os militares proibiram as reuniões da UNE, invadindo, prendendo, torturando, saqueando e vigiando as universidades e os intelectuais. Mesmo com toda esta repressão, a UNE continuou com seus encontros, ainda que secretos e ainda tendo coragem de promover passeatas e manifestação.

A UNE sobreviveu a ditadura militar, e também marcou presença no movimento de Diretas Já, apoiando a candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República. Assim como também, a UNE foi uma das primeiras entidades em 1992 a fazer manifestações a favor do Impeachment do presidente Collor, através do movimento Caras-Pintadas. Mas é no governo de Fernando Henrique que se presencia certa diminuição nas ações da UNE, que foi contra as privatizações e defendendo o ensino público no país.

No tempo de Fernando Henrique ainda presenciamos esses resquícios das manifestações estudantis, mas e hoje no governo de Luis Inácio Lula da Silva? Aonde que se encontra a sociedade?

Um dos antigos presidentes da UNE, que se pronunciou no tal documentário, (porem me fugiu o nome dele), afirma algo muito interessante. Hoje em dia, um dos motivos apontados para esta ausência da opinião estudantil é a ausência de um corpo físico sempre presente e atuante como a ditadura foi. Ele afirma que a falta de interesse na participação política sempre existiu, assim como hoje, porém antes a ditadura mostrava-se de corpo presente quase que todos os dias, portanto não tinha como se esquecer, como tentar driblar, o fato de que foram terríveis as ações dos militares, principalmente contra os estudantes.

José Serra, que também foi presidente da UNE, afirma outro motivo. Serra afirma que hoje a UNE está mais ligada a partidos políticos, e isso de certa forma restringe suas ações. Ele não esta julgando, esta só comentando o fato, de que antigamente a UNE era mais independente do governo.

Eu concordo mais com o primeiro, porem não inteiramente. De fato, antes a participação era maior pelo corpo presente da ditadura, porem a força da UNE era tamanha que em seus congressos, vinham estudantes de todo o Brasil. E não eram pequenas caravanas, eram grandes parcelas representativas de cada universidade. Não há como negar, também, que antes a participação política dos estudantes era infinitamente maior. Eles lutavam com paixão, tinham um compromisso e não o descomprimiriam.

Hoje isso já não existe mais, pelo menos desta forma. Não existe nenhuma participação, comprometimento e responsabilidade por parte dos jovens estudantes, claro que existem muitos que ainda se salvam. Mas hoje em dia com essa festa toda que acontece no Senado[3], especificamente, hoje, com o presidente do Senado o Renan Calheiros, com todo o esquema de mensalão[4] que foi denunciado, com todo o esquema de corrupção que sabemos que existe, os estudantes não se manifestam, não se organizam. Vivem seus dias com rotinas, parecendo não se importar com a política nacional.

Isso é preocupante, pois vemos os jovens cada dia que passa mais alienados, mais envolvidos com a criminalidade e tráfico, e se esquecendo da nobre causa política, se esquecendo da excelência nos debates e opiniões que esta classe carrega.

Uma das últimas manifestações que aconteceu que eu me lembro, foi o “Fora Bush[5], quando um grande número de pessoas se manifestaram na Avenida Paulista quando o Presidente dos Estados Unidos veio ao Brasil. Foi uma forma até violenta, parecendo um bando de vândalos para uma causa até que nobre, mas só seria realmente, se todos soubessem o porquê de estar ali. A Rede Globo fez diversas entrevistas com os manifestantes, a maioria não sabia o porquê da manifestação, e alguns não sabiam nem quem era o Bush.

Chegamos a um estado alarmante de alienação política, onde que os movimentos sociais perderam espaço por simples desinteresse das classes, como por exemplo, a classe estudantil.

Eu busco acreditar que hoje, pela agilidade de informações, internet e esses fatores, o tempo dos brasileiros está muito restrito. Uma espécie de “Manifestar ou Trabalhar”, o que faz bastante sentido na vida do brasileiro moderno.

Mas será que não vêm os noticiários? Será que não lêem jornais? Será que não se preocupam no futuro do país? E esse descomprometimento é, de certa forma, um caso especifico do Brasil, pois a França, por exemplo, retratou em 2006 as manifestações dos jovens contra as novas leis para o primeiro emprego[6].

Acredito que esta falta de mobilização é justamente o que o presidente da UNE disse. Fazendo um paralelo, hoje, vivemos em uma democracia, nós elegemos os políticos e eles cumprem suas promessas, em tese. Sendo assim, não temos de corpo presente um inimigo tão agressivo quanto a ditadura. Sim bem verdade isso, porem como afirmou Lucia Hipólito, a analista político da radio CBN, cerca de 20% dos congressistas brasileiros não receberam o voto direto da sociedade, mas sim o voto da legenda partidária. Isso é alarmante. Sim, não temos mais o corpo presente autoritário da ditadura, mas temos a “cueca e o mensalão”. Só esse fato de corrupção não é um motivo suficiente para uma mobilização? Para uma pressão por parte da sociedade?

Entretanto, a verdadeira pergunta é como que chegamos neste estágio tão passivo da sociedade? Como que engolimos tantos sapos da política brasileira. Se não basta o mensalão, a corrupção, a festa no Senado, as licitações malfeitas, os altíssimos impostos, se isso não basta, ainda temos o fato de que o Brasil cresceu cerca de 2,5% em 2005[7] e 2,9% em 2006[8], perdendo na América Latina somente para o Haiti, que esta em guerra civil.

Por isso afirmei anteriormente minha “inveja” pelas manifestações estudantis de outra época. Toda essa calmaria política da sociedade desanima qualquer cabeça pensante do meio. Hoje, a falta de comprometimento que invade as pessoas é tamanha, a falta de opinião formada, é algo que deveriam assustar os brasileiros. Há uma “doença” tomando conta da sociedade brasileira, e o individualismo é um dos sintomas.

Tal doença é o esquecimento. A qual conduz o país à este circo que vivemos. O povo brasileiro atarefado, tendo que se desdobrar para seguir no emprego, tendo que permanecer vivo a cada dia, fugindo dos roubos e seqüestros, se esqueceu dessa honrosa causa política. Ou ainda, talvez, quem sabe olhando por um lado mais pessimista, a grande parcela do povo brasileiro tenha, na verdade, se vendido para os “bolsas-auxilios” que o governo, sabiamente, esta distribuindo.

É uma continuidade de fatos que fica impossível de prever até onde vai chegar. Impossível de prever até quando a sociedade vai trocar sua participação por esmola. Eu espero que acabe bem esta historia, e que possamos, enquanto estudantes, retomar essa gloriosa fama de participação política e fazer voltar a honrosa denominação de ator político antes que seja tarde.

Mas em todo o caso, hoje os movimentos estudantis estão apagados, e nada esta sendo feito para melhorar a consciência dos jovens para a política. Algo que deveria começar dentro de casa, não esta acontecendo, e gera assim esse descompasso atual, criando uma enorme distancia entre jovem e a política, sufocando cada vez mais os movimentos. E não digo movimentos partidários, e nem podem ser, mas sim, aqueles saudosos movimentos patrióticos, os movimentos pró-Brasil.

É muito necessário que olhemos para o passado e aprendamos algo com as ações desses movimentos. Não podemos desonrar desta maneira todo o histórico do movimento estudantil, e nos tornarmos tão passivos hoje em dia. Falta de organização não pode ser uma desculpa, porque nos antigos movimentos eram pouco organizados. É importante aprender com a historia, e ver que a partir desses movimentos o rumo da historia mudou.

Porque se nem os estudantes se manifestarem, e a sociedade permanecer nesse silêncio infeliz, os políticos continuarão abusando, continuarão em desrespeito com a sociedade e se sentindo no paraíso, quero dizer, em Brasília.


Bruno Felice Araújo Perrella.

São Paulo, 6 de setembro de 2007


[1] Bruno Felice Araújo Perrella é estudante de graduação de Relações Internacionais e Coordenador Presidente do Grupo de Estudos e Debates de Relações Internacionais da Faculdade Rio Branco, G.E.D.R.I. (brunoperrella@yahoo.com.br ; www.artigosbrunoperrella.wordpress.com)

[2] Todas as informações históricas sobre a UNE foram retiradas do site: < http://www.une.org.br/>. Acesso em 06.09.2007.

[3] Para entender o “baile” no senado e o caso de Renan Calheiros, acesse <http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1826211-EI7896,00.html> Acesso dia 06.09.2007.

[4] Para entender sobre o mensalão, acesse: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u70256.shtml> e também: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u69467.shtml>. Ambos acessos dia 06.09.2007.

[5] Maiores informações: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u90128.shtml>. Acesso dia 06.09.2007.

[6] Maiores Informações: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u94176.shtml>. Acesso dia 06.09.2007.

[7] Maiores informações em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u105546.shtml> Acesso dia 06.09.2007.

[8] Maiores informações em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u114779.shtml> Acesso dia 06.09.2007.

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Fitna

Escrito por abusufyen em Abril 9, 2008

Um ponto para discussção:

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O Por Quê?

Escrito por abusufyen em Abril 9, 2008

Bom, acho que quase todos os problemas do mundo podem ser classificados utilizando-se apenas uma palavra: carência. Desde que entrei na firb senti exatamente isso, a carência de mecanismos de comunicação entre a instituição e alunos e acima de tudoa carência de comunicação entre alunos e outros alunos, não há, definitivamente, ferramentas que nos façam entrar em contanto uns com os outros, tanto no aspecto intelectual quanto no aspecto social. Para mim, mais parece que a faculdade é formada vários mundos, uns separados dos outros por meio de paredes e em que todos ficam isolados. Mas é claro isso não é generalizado, os alunos de RI conseguiram criar o GEDRI (Grupo de Estudos de Relações Internacionais), o CIERI, a Atlética e é claro as comunidades no Orkut.

Eu acredito que a faculdade não é formada por diretores, a faculdade apenas existe porque os alunos estão lá e ela só vai melhorar se nos empenhar nisso, assim, quem forma a faculdade somos nós e quando se demanda por mudança somos nós que devemos agir.

A idéia de criar este blog é que ele sirva de ferramente para um debate entre nós, alunos, para que compartilhemos o trabalho que realizamos nesses diferentes mundos e que possamos acrescentar sempre algo mais. Nesse sentido, ele é uma porta aberta à participação de todos e realmente torcemos para que dê certo.

Portanto, quero deixar claro que o objetivo geral do blog é servir de ferramenta para que os alunos e é claro também os professores de Relações Internacionais da firb tenham um espaço para compartilharem tudo aquilo que for criado por nós. Assim, se voce escreveu um artigo, um trabalho, ou se tem uma idéia interessante, informações sobre palestras, cursos relacionados, projetos e outros, o blog será (essa é a idéia) a janela.

Então se vocês quiserem participar mandem aquilo que vocês criarem para blogriobranco@gmail.com e ele será publicado no blog, ou utilizem os posts para escrever ou mandar uma mensagem.

Esperamos a participação de todos.

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